Objetivo

TGIF, ou melhor. O que diferencia a sexta dos demais dias já que não vai ter aquela cervejinha pra fechar né? Haha. No dia anterior, eu puxei até mais tarde, porque sabia que na sexta poderia dormir mais (É, eu não tô acordando às 6h em dias que posso dormir um pouco mais), então coloquei meu despertador para às 9h. Às sextas para os muçulmanos são como os domingos para os cristãos, é dia de uma reza mais completa, com mais comprometimento. Essa reza, é só para os homens e tem que ser na mesquita, não pode ser em outros lugares como no resto da semana. Começa meio dia e termina pouco mais que às 13h. Por esse motivo a minha aula nesse dia só seria dada depois das 13h.

Eu tava bastante animado para essa aula. A aula não seria para nenhuma faixa etária especifica, mas teria um formato diferente porque seria dada ao ar livre na comunidade de Fiqih, então quem quisesse ia se aproximando. Tivemos um quórum de mais ou menos 15 crianças, entre 4 e 12 anos. Apesar de tá fora de 4 paredes que levam nome de “escola” como a outra que eu tive dando aula durante a semana, essas crianças me pareceram bem mais desenvolvidas do que aquelas que estavam todos os dias na escola. Num grupo reduzido de crianças que chegaram um pouco antes, já fui puxar o nome de papo, nome (pedí pra eles escreveram) e idade, em 5 minutos já foi possível identificar que apesar de termos no grupo criança de 4 anos super desenrolada, tínhamos um de 6 que não sabia escreve (o próprio nome), a medida que íamos conversando se aproximavam mais crianças e alguns pais que traziam seus filhos. Então quando reunimos um grupo de mais ou menos 10, demos inicio a aula. A aula, assim como falei no post anterior, tava fluindo com os assuntos. Dessa vez não queria explorar tanto a escrita como fiz com os números na escola, nem a brincadeira do 7 que exigia um foco maior. Substituímos por outras brincadeiras e o resultado foi sensacional. É muito bom esse formato de aula em que é escolha das crianças estarem ali, a troca se torna maior.

aula aberta

A aula foi até o meio da tarde, no final dela, tanto as crianças como os pais nos agradeceram pela presença e pela atenção com as crianças. Sentamos ali, e eu só pensava “puts, essa era hora de abrir aquela gelada para comemora a primeira semana né?” haha, desilusão. Já íamos dispersar e cada qual partir para o seu paradeiro, quando Awal me informou que eu ia cozinha para eles na casa de Sabrina (outra pessoa local do programa) no dia seguinte. Opa, pera aê! Eu cozinhei (de verdade, sem contar com besteiras), 4x na vida, como eu disse depois do jantar do casal, é um esforço, uma gratidão, um gesto simbólico. Aí o cara diz que eu vou cozinha pra 7 assim na lata? Na lata mesmo eu disse que não daria, porque (de verdade) Paul e Jordan tinham me chamado para fazer algo no sábado (família em primeiro lugar), e logo depois de um papo em Bahasa já sugeriram transferir para o mesmo dia. Sem desculpa, eu aceitei. Lá vai eu pensar em algo que poderia fazer para essa turma toda, usei caminho inteiro de moto até o supermercado pensando no que comprar e o que fazer. Então coloquei na preferência strogonoff e como plano B um yakissoba. Para o strogonoff eu teria uma barreira, o creme de leite (ou heavy cream fora do Brasil), então chegamos supermercado e obviamente a primeira coisa que eu fui atrás foi o bendito. Mostra foto do creme de leite para turma, marca local, não tem. Achamos até algo que poderia ser, mas resolvemos não arriscar. Então recorri ao yakissoba, antes que alguém fale: Que ideia merda né? Fazer yakissoba para oriental. Não, eles nunca comeram yakissoba, nem eu nunca fui no japão para saber se esse yakissoba que comemos no Brasil vem de lá mesmo ou é uma versão brasileira Hebert Richers. Existem vários ingredientes para fazer o tal do yakissoba, e aquele acumulo de ingredientes começou a preocupar alguns dos integrantes do grupo ($$), só a carne (que para eles não é usual comer) já assustou o bolso, entre outros ingredientes que eles pediam para substituir ou não colocar. Pense que eles me pediram para colocar molho de tomate, queriam substituir o shoyo por um molho deles aí e eu bati o pé e não abri, abri no máximo para a acelga (ninguém vai morrer porque não tem acelga). Depois de muito tempo no mercado, chegamos ao fim. Entramos na fila do caixa, na fila do caixa chega a linda Momo e pergunta se eu teria dinheiro para comprar tudo aquilo (hã? Como assim?), sem pensar direito na hora eu disse que sim. Mas a minha cabeça ficou pensando (PQP, né possível que eles me “mandaram” cozinhar e ainda vão me fazer pagar pela comida), e fiquei ali matutando, matutando e soltando umas indiretas, até chegar na hora do pagamento. Então tive que ser direto e disse “Pensei que íamos dividir os custos”, eu não quero mostrar que tenho mais poder aquisitivo que eles para isso se tornar um hábito, cada coisa estou fazendo questão de dividir por menor que seja o valor. Nessa hora, Momo então pediu para eu guardar as notinhas, e Awal disse que dividiríamos lá na casa de Sabrina. Ok!

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Chegamos na casa de Sabrina (bela casa por sinal), os pais dela não estavam lá. Fui logo para a cozinha que tem o formato de cozinha americana onde é possível participar das conversas e ficar todo mundo junto. As meninas tentando me ajudar como podiam. Deixei tudo cortado, lavado e separado antes de começar. Só a carne refogada com a cebola já tem um aroma muito bom, quando mistura tudo é que é o pipoco mesmo. Realmente ficou lindo e muito cheiroso, tava orgulhoso de mim, mas quando misturei o macarrão (acho que exagerei um pouco na quantidade), os outros ingredientes e o molho pareceram pouco. Brindamos o jantar com um delicioso suco de goiaba (cadê o vinho, cerveja? Pqp!!), e atacamos a panela, graças a deus deu tudo certo! Me esforcei muito para aquele prato ficar bom e conseguir tocar o coração deles para eles pagarem. Funcionou, ou melhor, funcionou meio. Já que eles pediram pra dividir metade e a outra metade eu pagar (kkk), isso tudo é uma bagatela de 300.000 rps (ou 30 doláres), mesmo assim tô fazendo as contas. Não trouxe muito dinheiro para cá, foram 2 meses com 1500 doláres, e uns euros que sobraram da viagem que eu fiz com a família para Portugal no final do ano. Acabado o jantar, era hora de papo sério. Começamos uma reunião sobre a semana seguinte, e principalmente, sobre o projeto que acontece para arrecadação no domingo da semana 2 do mês de fevereiro. Eu enxerguei aquela conversa como uma ótima oportunidade de expor àquelas ideias que tive sobre o colégio e só tinha aberto para Awal. E começando a falar, pude ver logo que ele não dividiu com o grupo. Tive um tato muito grande e aproveitei aquele momento para falar como se tivesse vendendo um projeto. Comecei falando que o nosso projeto por mais que fosse muito importante para comunidade não era tão tangível. Mostrei para eles que eu era o único voluntário na cidade, e que precisávamos ganhar mais importância, relevância e exposição. Trazer um foco maior para Depok que é onde fica localizada a Universitas Indonesia, a casa da AIESEC para capital da Indonesia, Jakarta. Pude ver que ganhei o interesse deles na conversa, então expus a minha ideia. Transformar aquele colégio em um projeto continuo e constante da AIESEC, e poder no final de tudo, mostrar para quem quisesse, o poder de transformação da instituição de uma maneira mais concreta, mas tangível. Afinal, teríamos uma escola pronta, com alunos melhores, num ambiente totalmente diferente do que podemos encontrar hoje. Aquela conversa tocou eles, eu sei que tocou. Vou falar elas porque de homem só tinha Awal, as outras 5 eram mulheres. Depois dessa introdução, consegui mudar o foco do projeto, o foco da atividade e voltar todos os olhos e atenção àquela escola. As meninas ficaram com muita vontade, dava para ver! A nossa campanha de arrecadação do domingo agora tinha um foco. A atuação, missão delas dentro da AIESEC ficava mais concreta, para desenvolver ações e montar programas fica muito mais fácil quando você sabe quais são seus objetivos. Isso não é só para esse caso, mas para qualquer caso que você queira replicar na vida pessoal ou profissional. É espantador o prazer que dá em descobrir um objetivo, raras vezes tive isso na vida. Então na reunião vieram ideias de VR´s de papelão com vídeo mostrando a realidade da escola atualmente, com as crianças pedindo doações, entre outras coisas. Fica muito mais fácil de pensar quando você tem um problema para resolver (a vida do engenheiro deve ser muito fácil kkk), mas falando sério, sempre trabalhei com subjetividade, resultados (diferente do que vendemos), nem sempre podem ser prometidos. Como publicitários ou profissionais de marketing, fechamos o , pensando em tudo, para reverter todo e qualquer investimento em lucro, mas nem sempre dá certo. No final das contas o jantar foi muito valioso e cheio de evoluções. Peço para os que leem aqui ficarem atentos, porque em poucos dias posso voltar para pedir ajudar nas doações da campanha para ajudar a escola (hahaha)!

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