Bandung – West Java

bDepois de uma semana calibrada, finalmente chegou o dia da viagem. Como antes não havia citado Bandung por aqui, pode parecer que eu não estivesse esperando tanto para conhecer essa cidade. Acontece que o primeiro contato que eu tive sobre AIESEC, foi através de Bruno, um cara que eu conheci na Arte de Viver, que dividiu comigo a experiência que ele teve na Indonésia e mais especificamente em Bandung. A cidade tinha sido extremamente indicada por ele, e ainda no Brasil ele me colocou em contato com Camila, uma brasileira que já estava em Bandung no meio de um outro programa. Antes de saber onde eu ia ficar (casa, cidade e etc), quando eu só sabia que vinha para Indonésia, eu já estava com Bandung na cabeça. Camila me explicou todos os detalhes do dia a dia dela, quais estavam sendo as dificuldades, o que eu devia fazer para me preparar melhor e até criou um grupo com vários brasileiros que iriam fazer programa lá (vários? Como assim? Haha). Mas dias antes da viagem, a AIESEC Brasil me perguntou se eu tinha interesse em um programa (que foi esse que eu participei) e eu topei, me deixando a 3 horas de distância de trem mais para o leste da ilha de Java.

O dia anterior, fiquei na cozinha até 1 da manhã fazendo o doce de goiaba, quando acabei ainda fui tomar banho, fazer a mala e ainda fiquei mexendo no celular. Resultado foi que fui dormir às 3:30 (kkk), e o detalhe era que tinha que tá em uma estação de metrô lá em Jakarta umas 7 da manhã. Ou seja, umas 4 ou 5 já estaria de pé. Dormi com um sono leve, e acho que até antes do alarme disparar eu já tinha olhado o celular, levantei um pouco antes do planejado, fiz um café e tomei um banho, para só depois acordar Jordan que também iria comigo. Saímos na hora, tínhamos combinado de encontrar alguns outros amigos no trem desde aqui de Depok, e de fato conseguimos alcançar Manuel, o mexicano. O resto encontramos no terminal lá em Jakarta. Nessa viagem seriam: Eu, Jordan, Fran (Filipinas), Naro (Camboja), Gunaz (Azerbaijão), Cecile (França), Manuel (Mexico) e Annisa (daqui mesmo). Todos pontuais e famintos, pegamos uma promoção de Donuts e demo de cano de ferro. 10 minutos depois já era o nosso trem, a viagem durou 3 horas, e eu que levei o livro para dar uma acelerada, obviamente não consegui ler, dormi até chegar lá. De cara já senti que a cidade tinha um clima um mais frio (uns 20 graus), apesar de ter confiado no roteiro criado no grupo de coisas que íamos visitar (prefiro confiar do que fazer), dei uma pesquisada na internet sobre a cidade e oque tinha para se fazer lá. Já tinha ouvido falar das pessoas daqui que lá era como se fosse a “casa de campo”, muitas pessoas saíam daqui no final de semana para “subir a serra”, e que lá era cheio de jardins e áreas verdes, muita área de lazer, coisas mais turísticas (mais do que em Depok que não tem nada fora o Shopping né? Hehe). Nada histórico, algum templo misterioso ou atração imperdível, nem os brasileiros que estavam lá sabiam dizer se tinha algo que era imprescindível para eu não perder. A minha cabeça dessa viagem foi muito diferente da de Jogja, dessa vez eu ia para tomar uma, conhecer o povo que eu vivia falando no grupo aqui do whatsapp e ter um bom momento com os outros voluntários daqui também. E foi isso.

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Logo que chegamos fomos num restaurante muito legal, bem organizado e comida com mais características de francesa, mas sempre com as opções para os indonésios né? (muito arroz e fritura), pedi um carbonara porque queria finalmente comer algo diferente (normal de casa, diferente aqui), mas infelizmente apesar de bonito tava muito sem gosto. Nesse restaurante passamos pouco mais de uma hora, jogamos um pouco de UNO (essa turma sempre joga) e depois seguimos andando pela redondeza até encontrar uma praça (tudo planejado), era feita de grama artificial e tinha muuuuita gente. Muito legal para as crianças e família! De lá ainda fomos para uma outra praça/parque bem conhecida na cidade mas que não tinha nada demais, e só depois desse citytour todo é que seguimos para a casa que tínhamos alugado através do Airbnb. No caminho, mais uma vez me impressionei com o tamanho da cidade, pensei que tava indo para um vilarejo (Gravatá, Campos), mas era bem grande. Só depois que fiquei sabendo que era a capital de West Java (mesma província onde Depok tá) apesar da distância e de Depok ser divisa com Jakarta, não com Bandung. A casa era enorme, pé direito alto, 2 andares, um pouco antiga, tinham uns 4 quartos muito espaçosos e chuveiros (PQP, finalmente). Eu tava pilhado querendo sair, já marcando com os brasileiros e pegando as dicas de lugares bom pra ir na noite de lá.

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O povo no inicio parecia tá na mesma vibe, mas não demorou muito para cada um cair para um lado (kkk), dei uma de chatão mesmo e fiquei na insistência, dizendo que a gente só tinha 2 dias e tinha que aproveitar. Com muito trabalho, acordei Manuel e tirei todo mundo de casa! Infelizmente o bar de sinuca que Tatiana tinha indicado como um dos melhores lá, tava uma miação total. Somado ao ânimo do povo (annisa dormindo na mesa), Manuel sem beber, e o resto muito devagar, fudeu né? Odeio levar a galera pra barca furada. Pode ser aqui, em são Paulo ou em qualquer outro lugar do mundo. Sempre quero oferecer a melhor saída que eu posso, mas convenhamos que ali eu não era o anfitrião né? Chegamos um pouco cedo enquanto Tatiana só ia chegar uma hora depois, e os outros eu nem sei que horas iam e se iam. Eu lá, na minha empolgação sozinho consegui ainda empurrar umas 5 garras de cerveja (600 ml) para os que tavam bebendo, mas só Jordan parecia responder, até que chegou Tatiana, numa animação fora do normal, destoou dos outros que tavam ali, chega deu uma animada (em mim e em Jordan), a reação dos outros deu até vergonha (kkk). Independente do que ela fizesse para animar e falar que mais gente tava indo não foi suficiente para segurar aquele povo miado. Todo mundo foi embora 15 minutos (sendo gente boa) depois que ela chegou. Acontece que logo depois subimos para a sinuca, eu, Tatiana, Jordan e Tuju (um indonésio cabeludo muuuuito gente fina) para jogar uma partida. Mais umas 4 cervejas e chegou UMA GA LE RA. Acho que tinham umas 20 pessoas, entre Indonésios, Brasileiros (uns 4), alemã, australiana e mais uma penca de gente aí. Deu um up na noite surreal. Para mim conhecer gente já é por si só uma programação, posso passar horas só querendo saber o que tá rolando ali e das experiências que o povo tá tendo na viagem. Galera muito gente fina, animada, pra cima. Conversamos sobre os programas, e felizmente eles estavam em programas que eram mais objetivos como ajudar crianças com câncer em hospitais, auxiliar pequenos empresários locais e ensinar inglês em escolas públicas. Tinham sempre a cervejinha no final do dia, a possibilidade de ir a bares e boates. Não preciso nem dizer que deu uma invejinha e até um certo arrependimento de não ter ido para aquela cidade. Ao mesmo tempo que eles estavam admirados com a minha experiência e a minha profundidade dentro da cultura indonésia, já que eu to morando na comunidade sem muito contato com estrangeiro. Devo dizer que cada qual tem suas vantagens. Durante as conversas, consegui um voluntário para se juntar a minha causa na Escola Master e me ajudar a renovar o piso, pintar paredes e etc. Era Gio (giovanne), que mais tarde passou o recado para Victoria que também animou (sim, eu estava recrutando gente! As doações não paravam de chegar). Depois dali, entramos num carro de uma indonésia para seguir para uma boate. A indonésia era loira, V1d4 l0k4, usava roupas como as brasileiras usam (no baile funk), tomava uma e era muçulmana. Assim como o cabeludo gente boa. Que inclusive sabia falar muitaaa coisa em português e quando falava em inglês era com sotaque Russo porque foi com russos que ele aprendeu (kkk). Então eu estava numa cidade onde aparentemente os locais tinham mais contato com os turistas, dando assim uma nova forma de vida mesmo sendo religioso, mais moderno. E imaginei que deve ser por isso que o governo não incentiva muito essa troca entre as pessoas de fora com os locais, para permanecer as tradições (islâmicas). Na boate seguimos ainda a noite até umas 3:30, 4h da manhã quando o povo começou a dispersar, foi de verdade um grande prazer conhecer toda aquela galera ali. Todo mundo muito gente fina.

No outro dia, os cidadãos do mundo que estavam na casa tinham combinado de sair às 6h da manhã para visita uma cratera (vi nas fotos), que parecia mais um açude de lama (mal demais) e ficava lá onde o vento faz a curva, perdi. Preferi ficar dormindo, na minha cabeça eu não tinha ido para lá para fazer esse turismo mais ou menos e sim para curtir, relaxar e etc. Acordei de meio dia quando eles já estavam em um mercado flutuante, esse sim eu me arrependi de não tá junto. Mas fazer o que né? Alcancei eles no próximo ponto que foi o Dusun Bambu, peguei um uber que durou mais ou menos 1 hora e pouco de viagem e deu o absurdo de 80k rps, 7 doláres? (kkk). Dusun Bambu é um complexo com restaurantes, lazer, vistas e um mercadinho, tudo artificial, criado para atrair turismo mesmo. É bem legalzinho, bonito de se ver e bom para curtir uma tarde por lá. Foi isso que fizemos, passamos uma tarde e pouco antes de escurecer voltamos em direção a cidade. Uns amigos locais de Annisa indicaram um restaurante de nome “Cococoricó” para jantarmos. Eu queria colar com os brasileiros que estavam em um shopping aberto inciando os serviços, mas como estávamos dividindo carro, fui junto com geral. Felizmente. Felizmente porque eu comi um espaguete a bolonhesa de respeito. Diria que um dos melhores que já comi na vida, me surpreendi verdadeiramente, tudo isso numa vista surreal do alto de uma montanha vendo toda a cidade de cima. Sentamos na mesa: eu, jordan, fran, naro e gunaz. O papo foi na sua totalidade cultura local e diferentes religiões. Do papo inteiro que foi muito cabeça e não merece ser compartilhado aqui  (kk) foi a bizarrice que Naro e Gunaz não cansavam de repetir. História com pessoas próximas (parente) deles que morreram e voltaram (hã??), uma tia avó da menina já tava no caixão quando acordou, tava com 91 anos, ainda passou uns meses viva e morreu de novo. O outro era um morador do bairro de Naro em Camboja que morreu, mas voltou (que esse não era o único caso), e que as pessoas consideram esses seres que vão e voltam iluminados e extremamente evoluídos. Eu esqueci o resto das explicações para essas argumentações que eles juram que é verdade, mas depois vou dar uma pesquisada. Para eles eu só deixei uma dica: Verifiquem antes de enterrar. Enfim, a noite aí não demorou muito. Eu queria sair, mas esse era aparentemente o último dia que eu veria Manuel, já que ele ia viajar no dia seguinte e não íamos nos falar. Então resolvi ficar pela casa como todos e desfrutar da presença deles aproveitando os últimos momentos daquela galera.

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No último dia, todo mundo saiu bem cedo, só ficamos eu e Jordan em Bandung. Nosso trem era no fim da tarde enquanto o deles era no início da manhã. Mesmo sendo tarde, mazelamos na programação e não deu para fazer muita coisa, Jordan tava achando tudo meio longe e isso deixou ele inseguro com medo de perder o trem, então fomos para um Museu bem legal e para o shopping aberto que eu falei onde os brasileiros se encontraram um dia antes. No trem consegui ler Sapiens para ca ce te, mesmo assim ainda falta “muito” e eu fico sempre num dilema, se leio e garanto minha meta ou se escrevo aqui. Estou dando essa preferência de volta a escrever porque quero que tudo ainda esteja fresco na memória e não deixar passar mais registro dessa experiência e lição de vida que tá sendo muito show e vale a pena ser compartilhada. A semana seguinte ia ser correria pura, fazer a soma do total arrecadado e ver o que poderíamos fazer com a grana. Juntar o máximo de gente para nos ajudar, arregaçar as mangas e ir as obras. Quanto mais tempo, melhor!

 

 

One thought on “Bandung – West Java

  1. Claudinha

    ” (prefiro confiar do que fazer)” é mesmo?
    Vixe quando eu termino de ler é que me dou conta que o tempo tá passando muito rápido kkk
    Bjs

    Like

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