WATCH MASTER!

WATCH MASTER

Sobre o final de semana passado, a sexta-feira, foi o “último” dia de aula na escola Beji 7 (seven ou Tujuh – em bahasa). Aquela escola que eu pensei que teria menos ligação com as crianças no início da semana passada. A verdade é que essas crianças parecem ser um pouco menos necessitadas, então a atenção para elas é diferente, a forma de olhar e de conversar também é diferente. Talvez esses tenham uma excitação muito grande em me ver simplesmente pelo fato de eu ser diferente, enquanto os outros da escola Master eram de fato carentes de contato. Mas isso não me impediu de construiu um elo também por aqui, arriscaria dizer que até similar com a outra escola. Na Beji de fato tem bem mais alunos, uns 40 por turma, e eu passei por várias turmas. Isso me impediu até de assimilar que aulas eu tinha dado em que turmas. Mas me refiro a criação do elo, porque desta vez tivemos menos ponte (entre eu e as crianças), a ausência de companhia de pessoas do programa na quinta feira, também se repetiu na sexta, deixando apenas eu, Ms. Annie (professora de Inglês) e as crianças, que por aqui já arranham algum inglês.

Diferente da escola informal, a do estado (formal) funciona de segunda a sábado das 6:30 da manhã até meio dia e meio e as vezes até mais tarde. No sábado as aulas são só para atividades física, e o engraçado é que todos os professores (não importa a matéria) também participam. Os alunos são mais desenvolvidos, obviamente, já que tem uma maior assistência, essa “fácil” compreensão deles fez com que minhas aulas fossem mais completas. Dando sequencia a aquele conteúdo que tenho dado nos últimos dias, me deparei até com uma situação interessante… Começando a aula de cores com a boa e velha forca, é uma ótima forma de adquirir a atenção deles. Primeiro divido as crianças em dois grupos misturados de meninos e meninas (que não é muito comum e estimulado pelos professores por aqui) e depois a competição por si só já os envolve na matéria. Seguindo para um ditado onde assimilo na mesma “frase” um objeto e sua cor, e as crianças tem que desenhar e colorir. Todos colocam seus nomes e me entregam no final para correção, e os melhores ganham um chocolate. A situação interessante é que dentre todas as atividades vi uma que todos os objetos condiziam com o do ditado, mas as cores estavam quase todas trocadas. Na hora já deixei o papel de lado para no fim da aula dar uma pesquisada no google. E né que essa criança tem daltonismo? Haha. Fiz aquele testezinho de internet com ele e é isso! Engraçado como foi fácil descobrir, e por acaso.

As aulas do dia foram 10, muito boas mesmo. Mas uma coisa tava me aborrecendo e eu já não sabia mais se era implicância ou de fato correspondia com a verdade. Na quinta-feira ninguém pôde me acompanhar na escola. Isso quer dizer que a professora tem que deixar a aula dela para me fazer cia e traduzir algumas coisas para mim. Tudo bem, Kintan tinha ficado doente de última hora e não pôde comparecer, a professora foi avisada e tudo correu legal.. Na sexta-feira foi um pouco diferente, eles não me deram nenhuma satisfação, simplesmente ninguém foi e nem falou nada com a professora. Ela teve que fazer um arranjado de última hora onde eu daria as aulas dela da sexta (claro que isso me incomodou, não queria atrapalhar o planejamento de aulas dela), mas eu guardei. E assim como na quinta, minha única resposta no grupo que temos do programa a pergunta deles de “como foi a aula” foi: great!. Ainda não conseguia identificar se tava feliz ou puto. O dia passou, escrevi e li bastante para conseguir bater a meta do mês (apesar de muito bom o livro to achando que vai ser difícil kkk), no final do dia no grupo, o pessoal me “lembrou” de um seminário que eu teria de apresentar no dia seguinte. Ninguém sabe explicar como é o formato e mais detalhes dessa atividade. Toda vez a pessoa é tratada com gênio ou um animal de circo (depende da sua interpretação), que eles esquecem de falar com você, e passam uma atividade super difícil uma noite antes de acontecer. Então nosso amigo Awal me mandou um mensagem no privado me falando mais do seminário e algumas perguntas que poderiam me guiar ao decorrer da minha fala. E terminou com um irritante “Keep the espirito”, WHAAAT (kkk esse cara tá de onda! Sério) tudo que eu tinha engolido, não consegui segurar mais, se era implicância ou falta de atenção eu não sei, mas na minha cabeça defini que foi irresponsabilidade deles. A resposta foi imediata. “como você vem me falar de espirito se você nem mandou o material na terça, chegou muito atrasado na quarta e nem deu sinal de vida nos outros dois dias? – Sério eu não precisava tá falando isso para você, mas toda semana são novas desculpas por esquecimento, leve a sério para nós fazermos um bom trabalho juntos”, bem ele acha que tá fazendo o melhor dele, eu já não acho mais. Ele acha que faz parte da atividade eu “me virar só para melhorar como professor”, mas eu não sou professor nem tenho como melhorar se eu não entendo o que as crianças falam né? E disse que estava muito ocupado com as coisas do Carefree Day (domingo) e meu desabafo ainda se estendeu mais um pouco. Mas de novo, “vida que segue”.

Já era tarde da noite e os outros poucos voluntários que fariam apresentações no seminário também não sabiam que conteúdo exatamente explorar. Quem seria o publico e o que eles esperavam de nós. Talvez se o pessoal dos programas dissesse para nós o título do seminário já ajudasse bastante (kkk). Mas é isso aí, cara e coragem! Alguns acharam que era para falar sobre seus países, outros para fazer comparações e assimilações. Eu só sabia que no outro dia as 7h da manhã deveriam tá na estação de trem. Assim acordei no outro dia, meio perdido sem saber exatamente o que falaria para as pessoas (e quem eram ou quantas pessoas seriam), ao invés do trem, optei pela moto. Mas o campus dessa universidade onde aconteceria o seminário era muito mais distante do que haviam me dito (Jakarta), então levou algum tempo, e por sorte cheguei antes de começar. O formato do seminário era intimidador, uma sala com umas 120 pessoas (talvez), uma mesa na frente em cima de um palco, um púlpito para o seminarista falar, tela para apresentação no power point (whaaat), introdução feita por uma poetiza local, reitora da universidade, professora para assuntos internacionais, bastante gente (FU DEU). Eu que tava com uma fala bestinha em mente, assim como foi pro Global Village duas semanas atrás, mandei uma mensagem as pressas para Paul, para ele acessar meu computador e me enviar uma apresentação que eu já tinha feito para outra situação. Ela serviria nem que fosse para introduzir o assunto e o resto eu fui vendo de acordo com o termômetro das outras apresentações. Alguns falaram dos seus países (apenas), outros das suas vidas e outros das suas experiências aqui na Indonésia.

Vou entrar um pouco no assunto, porque algumas pessoas me perguntam como a decisão foi tomada, especialmente Guilherme (um grande amigo meu), me falou que seria interessante dividir o pensamento da tomada de decisão e planejamento (ou falta de planejamento, né Rod?) para vir para Indonésia. Depois de 8 anos de trabalho em diferentes setores mas na maioria voltado para comunicação e pessoas, me deparei com um pensamento em que não sabia ao certo o que queria da vida. Não sabia mais se aqueles 8 anos traçando aquele caminho era de fato o que eu queria. Então pela primeira vez, aconselhado pelo meu Coach, psicoterapeuta (ou que títulos você quiser mais dar), Jacob Goldberg, resolvi parar de pular de galho em galho, e pular de uma oportunidade para outra, para de querer encontrar um objetivo e pensar um pouco. Cuidar da minha cabeça e corpo para depois voltar a realizar. Me inscrevi na academia, fiz curso, e me manteria fazendo essas atividades, todas com o acompanhamento dele, Dr. Jacob. Meu pedido de demissão, me permitiu um gap de tempo onde eu poderia ficar sem trabalhar com um dinheirinho da rescisão. Mas em reflexão (rápida reflexão), vi que não era a melhor opção ficar em SP gastando esse dinheiro e fazendo quase as mesmas coisas que eu fazia antes. Então viajar era preciso, me distanciar um pouco da minha realidade para refletir, conhecer pessoas e adentrar em culturas (como foi aconselhado), resolvi ir ao pé da letra e sair daqui para viver isso. Não em um mochilão que não me permitiria conviver em comunidade e ter mais conhecimento sobre outras sociedades, me afastando da minha realidade e conhecendo outra. Tão longe de casa, em uma cultura tão diferente, não é difícil de você se pegar refletindo a vida. Você não precisa ir no parque ou no interior sentir a natureza e ouvir os pássaros, isso acontece naturalmente numa mesa de café, em cima da moto ou num intervalo de aula. Mesmo durante conversas (principalmente) é natural você se pegar refletindo sobre questões essências nossa e era isso o que eu precisava, refletir o que era essencial para uma pessoa, e isso veio logo depois de um intensivão de 2 anos respirando negócio e como achar dinheiro em SP.

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Então na minha fala eu mostrei que minha passagem por aqui não era sobre me tornar um melhor professor, ou profissional, mas um melhor ser humano. Me compreender melhor um pouco longe dos negócios e mais perto das pessoas. Aqui na indonésia é fácil, já que as pessoas da comunidade são gentis e fazem questão de me ajudar com tudo. A comparação que preferi fazer entre os dois países não foi sobre as nossas riquezas e as coisas boas dos nossos países. Mas sobre nossas deficiências e nossa positividade em levar a vida. Tentei sintetizar minha estadia em 3 etapas: primeiro tentando achar coisas em comum entre os dois países e fazer comparações, não achando essas similaridades e me definindo como minoria e finalmente vendo que similaridades não vem de aparência nem de religião e sim de propósitos. No inicio quando tudo é novo em um país muito diferente, acho que é natural (principalmente para o brasileiro) comparar tudo. “Se fosse no brasil”, “mas no brasil é assim”, “no brasil é pior ou melhor”. Isso é uma maneira de o cérebro meio que se enganar para mostrar que você já tem essa vivência e pode tirar isso de letra. Mas na realidade é muito chocante quando você se dá conta que na realidade você faz parte de uma minúscula minoria. Já estive em alguns países antes onde sempre foi fácil se encontrar. Se não é pela língua, é pelas características físicas, costumes ou até mesmo culinária. Aqui eu não tenho nenhuma dessas características em comum com eles, mas o fato é que tudo isso é ignorado e colocado a parte quando duas pessoas de culturas totalmente diferentes se envolvem em um mesmo proposito ou concordam nem que seja em algum fator da vida. Isso quebra barreiras e aproxima as pessoas.

Seguindo a apresentação, tentei mostrar para eles que tento criar essas ligações entre as pessoas nas crianças. Seja através do inglês, seja tentando não transformar a religião delas em uma parede ou abrindo a mente delas para o novo. Isso aproximaria aqueles pequenos seres ao mundo exterior no futuro (quem sabe). Mas que além de tudo, é muito importante as pessoas conhecerem os países visitados além dos pontos turísticos. Ir além de bali e entrar na cabeça do povo, saber o que acontece. Nem a indonésia nem o brasil são feitos só de belas paisagens, de pessoas gentis e mulheres bonitas.

No final das contas, acho que consegui fazer uma bela apresentação e bem diferente do que já tinha sido falado ali. Porque aproximou mais a audiência dos “seminaristas”, levantando outras questões (culturais) e não turísticas como estavam sendo as perguntas anteriores.

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Manhã de sucesso, aquele seminário foi das 8 até às 14h. Eu pensei que seria um pé no saco, mas no fim das contas foi legal. No fim, o pessoal do programa se juntou porque iriam todos ver a apresentação de dança de uma menina da AIESEC local no teatro da Universitas Indonesia. Eu tava animado porque não tive ainda a oportunidade de ver a dança local né? E talvez finalmente sair com as pessoas dos outros programas, mas assim que disse aos integrantes do meu programa. Eles me pediram para não ir, porque eles tinham planejado uma reunião para “discutirmos” alguns assuntos do dia da caridade (dia seguinte). Eu tinha dado todas as ideias de como seria, como faríamos, TUDO. E Awal se disse muito ocupado ao decorrer da semana tomando conta desses assuntos. Mas na verdade eles não tinham feito NADA. Então dispensei a turma e fui para Universitas Indonesia, não para apresentação de dança, mas para me reunir com eles no dormitório de Awal para produzir o material para o dia seguinte. Minha ideia tinha sido levarmos 3 VR (óculos de realidade virtual), passando um vídeo mostrando a escola com depoimentos de crianças para as ruas neste domingo, segurando um cartaz e uma caixa. Os 3 se comunicariam porque teriam as mesmas cores e a mesma linguagem e ao mesmo tempo serviriam de teaser porque ninguém saberia do que se tratava. Queria que com essa curiosidade as pessoas quisessem ver o vídeo e se sentirem tocadas e pudessem doar. O cartaz dizia “watch Master”, o óculos “play Master” e a caixa “help Master”. A pergunta seria “O que danado é Master”. A ideia foi curtida, mas só curtida mesmo. Meu grupo não me ajudou em nada na produção das coisas, eu até parava as vezes para ver se alguém fazia algo. Mas não. Tudo que eu pedia: cola, papel, tesoura. Era um queijinho, mas se mexer de verdade ninguém se mexia. Então aquilo ali durou até a noite. No final era um trabalho simples e mas com conteúdo e estratégia.

 

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No domingo tivemos que acordar as 5 horas da manhã, o combinado era as 6 no terminal de trem. Existe um “domingo na paulista” aqui também. Uma avenida principal fica interditada para as pessoas se exercitarem, tem apresentações e etc. Chegamos lá na hora certa e junto de algumas pessoas de outros programas, cada programa pediria dinheiro para suas causas. A nossa inicialmente era para resolver o problema racial das crianças de alguma forma, mas como achei muito subjetivo, sugeri melhorarmos de alguma forma o ambiente da escola Master. Saímos pelas ruas, 2 deles segurando um grande banner (falando do programa), 3 segurando os óculos, eu a placa e uma a caixa. Me confirma aquela sensação de que eles naõ querem incomodar nunca, então eles não pedem, nem correm muito atrás. Então tive que fazer esse papel, e com um Bahasa safado, metia um “Paggi, Mau nonton vídeo? Satu manut” dando bom dia, perguntando se as pessoas tinham interesse de ver um vídeo e que durava só 1 minuto. Acho que 98% das pessoas que tiveram interesse de assistir, fizeram alguma doação. Foi muuuuuita correria das 7 e pouca da manhã até meio de e pouco. No final dessa manhã, nos reunimos em um restaurante no Grand Indonesia Mall (ali do lado), maior shopping daqui para concluir e dia e contar o dinheiro e só assim resolver o que fazer com ele. Juntamos um total de 350 mil rupias, mais ou menos 35 doláres. É verdade que não é muito, mas por aqui nunca conseguiram juntar isso antes nesse dia da caridade. Entre todos os programas fomos o teve mais sucesso, além de muitos elogios da direção da AIESEC local. Mas na verdade é o que podemos fazer com esse dinheirinho nessa escola de uns 70 alunos né? Fiquei num disputa grande com Momo porque ela queria algumas fardas (2 ou 3) achei péssima ideia, queria alguma coisa que melhorasse o ambiente em que eles estudavam, e acho que com esse dinheiro era possível comprar uns 3 lixeiros para as portas das salas. Dessa forma era possível educar as crianças a respeitar aquele ambiente, não comer na sala e deixando aquele lugar mais propício e menos sujo para estudar. A ideia foi aprovada pela maioria, mais foi sucedida por outras como: pintar algumas salas entre outras. Ficamos aberto para sugestões e doações até o dia 21, quando pretendemos implantar na escola Master todas as ações discutidas.

Se você quiser ajudar, disponibilizamos esse link para doações:

kitabisa.com/masterdonationBR2018 e clica em DONASI SEKARANG.v

Tive sucesso com um cartão internacional, mas você encontrar qualquer dificuldade, fala comigo que tento um novo caminho!

Obrigado!!

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