Yogyakarta – Prambanan

Começando o dia bem cedo em Jogja e dessa vez nem notei quando Fiqih levantou para rezar as 4 e pouca. A noite passada dormimos cedo para acordar e tentar pegar o por do sol no templo Prambanan, mas assim que vimos que tava meio nublado, fomos na nossa hora de manhã normal mesmo (umas 8h, 9h). Esse complexo, que tinham o Prambanan + 3 outros templos (ou ruínas), ficava bem mais perto que o outro, então com apenas meia horinha, já chegamos lá. Assim que você chega, da de cara com um jardim gigante, é tudo muito bem cuidado dentro dos dois complexos, neste especificamente era ainda mais caprichado, grama verdinha e cortada, tudo funcionando direitinho e bem sinalizado. A medida que eu ia entrando pude ver lá no fundo umas torres bem altas, aquilo naturalmente já causa uma excitação. Tipo quando você vê uma montanha-russa muito boa em Orlando, vai se empolgando e acelerando o passo. Logo na entrada para a área onde as torres que compunham o templo Prambanan tinha uma placa contendo mais informações, mas para minha infelicidade (e de todos os turistas) não tem tradução para inglês.

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Então, vendo a minha falta de informação naquela hora, Fiqih me perguntou se eu queria saber a história do templo. Aqui compartilho a versão mais legal: Existe uma lenda local em que uma princesa muito cortejada, fez um pedido um tanto exigente para um pretendente indesejado. Ela pediu que ele construísse 1000 templos durante uma noite e que só desta forma seria possível eles se casarem. Com a ajuda de “demônios”, quando o homem estava no 999º templo, soube que a mulher não teria intensão de casar com ele. Então, com um feitiço, ele transformou ela em estatua e colocou na câmara do prédio central (principal), do templo. Fiqih só sabia da lenda, e não da história verdadeira. A verdadeira é que o templo foi construído no século 9 para comemorar o fim de uma guerra que decidiu a nova localização da capital de Java. Não só a localização geográfica, mas também religiosa, que deixava de ser budista para ser hinduísta. Na verdade, eu ainda não conseguia entender direito a diferença entre as duas religiões, principalmente porque em ambos os templos estão cheios de figuras do Buda, então para entender melhor, dei aquele velho Google. As duas religiões, budista e hinduísta, de fato tem  a mesma fundação derivada de outra religião, Védica (vedas eram tribos antigas da índia) no hinduísmo eles acreditam em diferentes Deuses que são responsáveis por diferentes papéis na nossa vida, um destrói, outro cria e outro protege (Shiva, Brahma e Vishnu, respectivamente), fora isso tem a questão das castas (basta ter assistido “Caminho das Indias” para entender que não é nada legal).

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Já os Budistas não acreditam nesses Deuses Hindus, mas sim na própria consciência, na busca espiritual de cada indivíduo. Uma filosofia, um modo de vida onde existe a causa e o efeito. Que diferente das outras religiões, foi criada por uma pessoa (Sidarta Gautama), que não era nada mais nada menos que um Príncipe que teve acesso a um mundo fora das paredes e proteção do seu castelo, conhecendo a miséria e procurou um estado mental que pudesse ajudar as pessoas a resolver aquilo, com mais compaixão e sem muito deslumbramento a fim de evitar frustrações ou sofrimento.

Ficamos bastante tempo no primeiro templo subindo e descendo os degraus daqueles 8 edifícios, tanto tempo que já ia dar meio dia e era a hora de Fiqih sair para rezar (Sexta, Jummah pray, lembra?) todo lugar tem mesquita, até dentro de complexos religiosos de outra religião. O lugar pode ser rico, pobre, de qualquer jeito. É tipo a Igreja Universal, uma mesquita em cada quarteirão. Quando não tem mesquita, tem sala de reza. Isso em estação de metrô, aeroporto, qualquer lugar! Então Fiqih foi e eu continuei perambulando por ali, enrolado em minha bandeira do Brasil, jurando que também era necessário o uso de Sarung lá (só descobri depois que não quando vi uma série de meninas de shortinho e regata), tirando umas fotos, e fui andando e andando, até chegar num enorme jardim verde, passando debaixo das arvores, sobrinha, bem ventilado e resolvi dar uma paradinha. Estendi a canga (do brasil), peguei minha água, tirei meu sapato e tive a brilhante ideia de fazer a respiração. Geralmente quando faço em casa, em uns 20 25min eu acabo, nesse lugar eu respirei e deitei, só despertei exatos 43 minutos depois com Fiqih me ligando. Fiquei molinho molinho (kkk). Antes de explorar os outros templos no complexo, achei um museu lá, mas preparados que eles são aqui, não disponibilizam as informações em inglês, então só olhei mesmo e fiz aquela cara de entendido. De legal nesse museu, só uma “maquete” desse complexo, e do complexo de Borobudur, vendo de cima é bem interessante.

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De lá, avistamos uma grande chuva chegando, então demos uma pressinha no passo para conseguir ver melhor os outros templos (que segundo Fiqih ouviu no alto falante do complexo, eram budistas, vai entender), o último é bem legal, o resto estão meio em ruínas. Na volta passamos por um “zológicozinho” que tinham umas espécies de animal que eu nunca tinha visto e só. Mais uma grande experiência para conta!

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Na volta fomos direto para o hotel, a fome tava destruindo meu cérebro. Lá matamos cada um 2 Indomies (o miojo daqui), mais uns cheetos e um refrigerante. Descansei uma horinha ou duas e resolvi encara a noite na cidade, já que no outro dia não precisava acordar tão cedo. Fiqih declinou o convite, mesmo com muita insistência minha, fiz umas 35 “last calls” mas a educação que os pais dele passaram sobre não sair depois da reza das 18, 19 (sei lá), falava mais alto. Fora isso tem a questão do bar, que ele não “poderia” entrar (todos os bares q fui tem muçulmanos, mais liberais). Então resolvi ir só mesmo. Várias pessoas locais, me falavam pra ir numa rua que é bastante turista (para noite) com vários bares e etc, inclusive o motoqueiro me levou diretamente para lá. Assim que cheguei, não vi uma alma viva a não ser por uns 2 ou 3 gringo coroazão tomando uma cerveja em um dos bares, o lugar era legal, mas vazio do jeito que tava, não rolava. Encostei num bar daquele ali, e com muito esforço para ser entendido, uma mulher que estava servindo bebida me disse que era melhor eu ir no “Liqui”, eu que tinha acabado de pegar umas meia hora de moto, nem relutei em chamar outro uber para me locomover para essa nova dica, confesso que com o pé muito atrás. A rua desse Liqui não parecia ser turística, e a faixada não era tão legal. Entrei no bar e não vi ninguém, uma mesa no máximo ocupada, mas um garçom se aproximou e me puxou para uma porta dupla nos fundos que levava a um espaço GIGANTE, na moral mesmo, muito grande, pé direito lá em cima, várias mesas tipo de PIC NIC, palco para banda, iluminação massa, 2 bares. O único problema era que tava vazio, único não, o outro problema era que nenhum garçom falava inglês. Então saber se ia chegar gente ou se ia ficar daquele jeito, era uma surpresa. Notei que tinham duas mesas ocupadas (apenas), uma com um povo local, e outra com 7 pessoas. Depois de uns 20 minutos sentado tomando minha segunda cerveja (depois de 20 dias zerado), pude ver na visão periférica que um rapaz e duas meninas estavam em pé meio que vindo (naquela, meio com vergonha), então olhei para eles para facilitar o contato (haha), eles vieram, perguntaram se eu tava só e se eu queria me juntar a mesa deles (os 7). Me perguntaram bastante coisa sobre a minha passagem, estadia, de onde eu vim e etc. Assim como eu perguntei também. Eram 7 australianos(as) universitários(as) que vieram através de um programa de voluntariado que a universidade de Melbourne proporcionava. Estavam em uma vila de verdade, com vista para o Vulcão Merapi (que ficava ali perto) fazendo um trabalho de conscientização contra a poluição para a população local. E sempre iam naquele bar para relaxar, disseram q era o melhor. A noite foi muito divertida, alguns deles era muito difícil de entender por conta do sotaque, mas não faltou boa vontade deles em repetir quantas vezes fossem necessárias. Repetir principalmente porque jogamos Presidente e Assassino nas cartas e como eu não me lembrava como eram os jogos, precisei ser ensinado. Tomamos ali um Long Island (muito bom, inclusive) e umas 5 ou 6 cervejas. Muita conversa e até que dois deles se juntaram na mesa de uns locais, que não muito tempo depois, chamou o resto para se juntar aos locais. Eram dois “coroas” e 2 mulheres. Um deles mexia muito no nariz e não demorou muito para eles começarem com esse papo, o outro que falava inglês muito bem, rapidamente já introduziu o assunto de drogas na mesa, mas dizendo que o que mexia no nariz era o melhor advogado de Jogja (os dois pareciam ricos mesmo) e ele não apresento a profissão, mas fez uma bela descrição das cadeias de Amsterdam, Melbourn e Jakarta, por onde ele disse que já teve passagem por uso de maconha (sei), eu já não tava gostando muito daquela conversinha, mas ainda bem q era meio fim de noite e eles não demoraram para ir embora, ficando só eu e os australianos de novo. Mais umas cervejas, então era hora de partir. Deixamos marcado um encontro no outro dia para a visita ao Palácio do Sultão, ao castelo das águas e um paintball. Na volta eles pegaram um carro e eu, pra variar, uma moto porque já tava com saudade. Cheguei no hotel e dormi feito um anjo.

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One thought on “Yogyakarta – Prambanan

  1. Claudinha

    Adorei saber da diferença entre o budismo e o hinduismo, sabia algumas, mas não em sintese mesmo de onde vieram e pra onde “foram” foi uma ótima evolução em poucas palavras, adorei.
    Achei engraçado que tu ficou molinho mesmo.com a respiração, lembrei da voz no áudio que tu mandou, agr depois de tanto tirar onda da minha vc tbm tem uma voz de respirador ahahhahaha 💙
    E que lugar lindoo!!! Incríveis as fotos!!
    E que massa esses australianos, MT bom essa troca, queria que em Recife tivesse mais gringo, pra sempre que fosse sair rolar uma coisa assim hehehe tipo pipa..

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