Borobudur – Yogyakarta

Ou Jogjakarta e até mesmo pelo apelido Jogja. Uma cidade histórica que abriga antigos templos e cultura da Ilha Javenesa, talvez por isso já tenha sido a capital e atualmente ainda tem o título de “Capital Cultural” por aqui. Isso era tudo o que eu sabia antes de ir para Jogja, tinha uma impressão que ia encontrar uma pequena cidade, talvez um vilarejo, meio rústico totalmente diferente dos grandes centros que eu tenho passado ou vivido por aqui. O fato é que já pela janela do avião, antes de pousar, já vi que tinha me enganado. Me surpreendi, negativamente, com o tamanho da cidade (esperava que fosse algo menor mesmo). Não foi uma viagem longa, mas em uma hora e dez de viagem, foi possível me distanciar bastante de Jakarta, chegando ao sul do centro de Java. Já no Aeroporto, eu e Fiqih, fomos abordados por um grande grupo de taxistas que ficam esperando os voos, e como eu já disse antes, também tem problemas com o apps de taxi por aqui, mas não foi nada que pudéssemos contornar. Ao sair do aero, seguimos direto para o hotel, numa “viagem” de 30 35 minutos. Já nessa passagem era possível ver uma cidade grande com quase todos os mesmos problemas que Depok tem, exceto pelo trânsito. Fiqih ficava surpreso ao ver que os motoqueiros não paravam sobre a faixa, e que os carros conseguiam andar a mais de 50 ou 60km/h com um fluxo permanente e as vezes com trechos livres, também era primeira vez dele ali. Chegamos no hotel/pousada, até simpático.

Os quartos ficavam afastados e por estar chovendo, nos ofereceram o carrinho de golf para levar lá. Foi uma viagem longa então estávamos ambos cansados, sem energia nem para sair para comer e do jeito que chegamos, dormimos. No outro dia, combinamos de acordar bem cedo para aproveitar, mas eu não contava com o Fiqih e seu despertador natural da reza às 4h da manhã (tinha esquecido), mas consegui dormir de novo e às 7 estávamos os dois de pé prontos para a exploração.

Felizmente e diferente do que a previsão do tempo apontava em todos os canais e sites, o dia começou sem chuva (sem sol também), isso deu um UP na nossa animação (estávamos meio frustrados com as previsões), e a medida que o dia foi evoluindo o sol foi aparecendo e o céu ficando mais azul. Pedimos um “Grab” (app de carro e moto tipo uber) e o carro não demorou para chegar, no primeiro dia íamos para Borobudur, que ficava a um pouco mais de 1 hora de Jogja. Logo na entrada, tive uma grande decepção, fui na fila com Fiqih e me informaram que aquela fila seria para locais, independente de apresentação de visto e longo tempo de estadia no país, só com documentação comprobatória ou um rostinho indonésio, então me apontaram onde eu deveria ir, que era um hall com ar condicionado e todo maior requinte para os estrangeiros. Minha irritação veio pela comparação, na outra fila o ingresso estava por 30 mil rps e na fila dos turistas, cobravam descaradamente 350 mil rupias sem nenhum motivo aparente. Acho até que se eu não tivesse visto o outro preço, não teria me irratado, mas eu vi. Compartilhei minha indignação com a mulher da recepção, disse que eles estavam me roubando, que não era assim que funcionava e as pessoas já investem para vir de longe. No fim das contas aquela pessoa não está ali para negociar preço ou entender meu problema, só para repassar o custo mesmo. Então desembolsei (puto da vida) 525 mil rupias para comprar os ingressos de entrada para esse templo e o do dia seguinte (comprando os dois, ficava mais barato). Passando da recepção você entrava num complexo, onde tinham outras atrações, mas a partir da entrada da area do templo mesmo (antes de subir umas escadas), você não pode abrir bandeiras ou banners e, como várias religiões, cobrir as pernas e os ombros (sem regata ou shorts), então me deram um Sarung (uma saia típica) na entrada (free graças a deus).

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O Borobudur é o maior templo budista do mundo, sua construção foi concluída no séc. IX. Não existe um significado bem definido para o nome, só hipóteses. Assim como são as hipóteses para justificar o seu abandono 3 ou 4 séculos depois. Uns sugerem a área de risco (entre vulcões), outros sugerem o abandono com a mudança da capital e até mesmo pelos próprios javaneses que foram convertidos ao islamismo com uma maior presença dos indianos no país. O templo é gigante, tem centenas de budas, uns visíveis e outros cobertos por estopas perfuradas. Além de todas as paredes serem compostas por milhares de painéis de desenhos budistas. O grande Templo só foi “redescoberto” em 1814, enquanto a ilha estava sendo administrada pelos britânicos. O presidente da época (inglês) foi informado pelos locais da existência dessas ruínas que estavam encobertas de mato e cinzas vulcânicas, tendo o início das buscas, depois escavações, e restaurações que foram finalizados apenas em 1985 após ajuda de vários países combatendo roubos e retiradas e ajudando a custear a detalhada restauração. Depois de redescoberto e restaurado, o templo já sofreu ataques terroristas com bomba, terremotos e erupções vulcânicas, mas continua hoje em pé e pronto para receber todo mundo e inclusive eventos e migrações budistas que passam por ali.

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eu

A grandeza daquele lugar nos segurou ali por mais umas 3 horas tudo aquilo é muuuito impressionante (também curto bastante história), e após sair dali era possível continuar no complexo que era composto por museu, e “entretenimentos” como passeio de elefantes, zoológico (nada demais), uma grande área verde, bicicletas, cavalos e etc. Fomos no museu e que na verdade não reteve tanto minha atenção. Não tinham muitas peças e estava tudo em Bahasa Indonésia (língua indonésia). Mas uma prática de uma arte (tipo uma dança), conduzida por um homem de idade, com cabelos brancos cumpridos que envolvia mais umas 5 pessoas (gringos) também de idade nos chamou atenção, ficamos ali vendo aquela “dança” que as pessoas de olhos fechados se moviam devagar fazendo o movimento que queriam, tocando as plantas, se tocando, sentando, rolando, levantando os braços, com uma flauta de fundo e tudo isso bem lentamente. Acabou com uma roda que envolvia mais umas 15 pessoas, que aparentavam já serem conhecidas por aquele “mestre”, devia ser um “curso” de relaxamento intensivo, a conversa era uma viagem (pelo menos para mim que tava de fora), então vendo que estávamos sobrando ali, eu e Fiqih saímos de mansinho e fomos em direção ao portal de saída, mas antes encontramos duas piscinas. Na minha cabeça já veio de cara que era daqueles peixinhos e ficam mordendo o pé, e realmente era.  Fiqih disse que aquilo era caríssimo, e para nossa surpresa o cara tava cobrando uma bagatela para ficarmos por 15 minutos com os pés na água. Eram centenas de peixinhos dando mordisquinhos no pé, parece um monte de furinho ou apeles pontinhos que sentimos quando o pé tá melhorando de uma dormência (ou dormida, em sp), o nome desse “tratamento” é Ictioterapia, que é uma limpeza profunda dos pés, por imersão em um tanque cheio de peixes Garra Rufa, também chamados de peixe médico. Estes peixes turcos conseguem eliminar toda a pele morta dos pés, deixando tudo limpo e suave. Dizem que melhora a circulação, chulé e pé de atleta. E até que eles atuam nos mesmos pontos da acupuntura, regularizando o sistema nervoso, relaxando o musculo e reduzindo a fadiga. Eita peixinho milagroso!!

estopas

buda

Essa parte do dia acabou com muitas dúvidas, se seguíamos para conhecer mais coisas ou não. Mas por conta da chuva que tinha começado, resolvemos para para almoçar (tínhamos sobrevividos com um pacote de Oreo das 7h as 15h). Nessa hora, o Grab (taxi) que pegamos sugeriu umas programações para gente neste mesmo dia, disse que ficaria esperando a gente para almoçar e com um custo baixíssimo rodaria para outros pontos da cidade depois do almoço. Almoçamos num restaurante que Fiqih de cara achou muito “chique”, porque tinha uma decoração de cadeia e na verdade era bem “jovem”, mas fora da realidade dele mas o que deixou ele ainda mais feliz foi o preço e a comida, que segundo ele nunca havia provado um prato tão bom daquele na vida (um noodles tradicional daqui), mas aquela proposta do Grab me deixou com uma pulga atrás da orelha. Somado a isso, Fiqih disse que era tradição darmos algum dinheiro a mais ou levar comida por ele ter nos esperado e aquilo (aquela bondade dele), tava me deixando ainda mais desconfiado. Saindo dali, passamos pelo Palácio do Sultão (Rei) de Jogja – é, lá tem um rei, diferente do resto da Indonésia. O palácio já estava fechado então não foi possível entrar. Então o motorista nos levou para um centro de artesanato de Batik, onde eu até fiquei tentado a comprar dois quadros, mas o Budget reduzido da viagem não permitia. Seguimos para uma loja ao lado, onde fique comprou coisa para cacete para a família dele, que estavam pagando a viagem. E depois já não era possível fazer mais nada, só voltar para o hotel. Conclusão: o excesso de bondade de Fiqih, nos deixou ser enrolados pelo taxista, que obviamente sabia que os outros lugares estariam fechados, e ainda comeu mais um dinheirinho por ter esperado a gente almoçar (que sentido fazia a gente segurar o cara ao invés de pedir outro), mas, eu que sabia que tava sendo enrolado, deixei Fiqih encara a realidade do mundo maldoso e sentir na pele que o mundo não é a vila dele. Que as pessoas todas se conhecem, se amam, se ajudam, se respeitam e admiram ele por ser um bom menino. Claro que não fiquei feliz com essa conclusão, ainda esperava me enganar e ter a felicidade de ser presentado pelas boas ações das tradições locais, mas não foi. Foi tiro e queda.

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