Brain food

Final de semana, iai? Dormir mais ainda, sair para aproveitar a cidade? Acordei tarde, e mais de 40 min mexendo no celular, lembrei que tinha combinado de sair para fazer algo com Paul e Jordan. Saí, já tomei banho, um cafezinho e me sentei do lado deles na sala, em frente a TV. Esperei uns 5 minutinhos e “IAI? VAMOS FAZER ALGO”, haha (cachorro na porta abanando o rabo). Só fui cobrar uma promessa que eles tinham feito no dia do shopping. E na verdade não fiquei tãaao animado para a programação sugerida naquele dia não, porque era jardim botânico da cidade (e eu não sou muito fã de jardins botânicos). Mas sem que eu precisasse sugerir, Jordan já tocou no assunto perguntando “que tal” se mudássemos a programação. Agora a sugestão era Mini Indonésia, simbora!

vista parque

De carro novamente (as costas agradecem), saímos de casa e pegamos mais ou menos 1:30 de estrada, ruas e transito. Apesar de ser final de semana, isso não diferencia o trânsito por aqui. Aqui é transito de manhã, de tarde e de noite nos 7 dias da semana. O que se salva são umas 3 ou 4 horas durante a madrugada, nada mais! Chegando lá, já foi possível ver um enorme templo Hindú. Eu não sabia ao certo para onde eles estavam me levando ou do que se tratava, só fui. Então aquele templo para mim já era a atração. Sempre disse que é bom você não saber tanto sobre seus destinos ou criar muitas expectativas, dessa forma fica mais fácil de superar, e foi isso que aconteceu. Esse lugar é enorme e é um projeto dos anos 80 criado pelo segundo Presidente da Indonésia (pós independência). Tratava-se uma “mini” cidade que era dividida entre todas as províncias que compõem a Indonesia, isso servia para a população local conhecer melhor as diferentes culturas do próprio país. Diferente do brasil, onde nos dividimos apenas por sotaques, danças e roupas (mais ou menos dependendo da temperatura), a Indonésia é composta por diversos povos de culturas totalmente diferentes. Isso envolve línguas, construções, modo de vida, de alimentação, rituais e até aparência. Quando você compara um cara de Sumatra com um Javanês e até uma população de duas regiões diferentes na própria ilha de Java, as mudanças são impressionantes. O complexo leva o “mini” de graça, porque de mini não tem nada. São construções em tamanho real, com acomodações, moveis, e até a composição dessas “cidades reduzidas” representadas e reproduzidas com perfeição (segundo Jordan). E mais incrivelmente, é que parecia que o aglomerado de pessoas que se fincavam em cada “província” desse parque, parecia fazer parte de verdade dali ou que vieram dali. Em cada cidade tinham apresentações, exposições e até eventos “fechados”, com pessoas relaxando, confraternizando ou só trazendo as crianças para se divertirem. Pelo o que um dos caras do programa me falou num direct do insta, aquele complexo tava ficando melhor a cada ano, que eles sempre estão melhorando algo. A minha impressão é que aquilo foi construído nos anos 80 mesmo (kkkk), não pelo estado das reproduções das províncias, mas pela “Disney” que tinha lá dentro. Era uma Disney com castelo e tudo, mas ao invés de grandes montanhas a russa, e brinquedos tecnológicos, eram brinquedos de parque temporários que se instalam em festas de interior (ou da festa da vitória régia). Tudo bem velho e enferrujado, o bom dali mesmo era aproveitar o complexo, as construções e entender melhor a imensidão da Indonésia, a distribuição e formação geográfica.

casas padang.jpg

Para entender melhor mesmo, existia um teleférico (também dos anos 80), esse teleférico passava por cima de um lago gigante, dentro desse lago existiam ilhotas que representavam exatamente (com suas devidas proporções) as ilhas que compõem a Indonésia. De lá de cima foi possível entender melhor onde ficava cada província, as distâncias entre elas e deixar uma dúvida: Por que a capital não fica na ilha de Kalimantan? A maior (segunda maior ilha do mundo) e mais segura da indonésia? Porque fizeram a capital na “estreita” ilha de Java? De lá de cima foi possível ver também a ilha de Flores. A ilha de Flores foi onde encontraram a última espécie de homens da caverna conhecidos por nós, o Homo Floresiensis. Que pela sua estatura bem pequena (1,3 – 1,5m), possivelmente, deram origem ao povo oriental (pelo menos região desta região) ou eu to lendo o livro Sapiens e viajando demais. Mas na verdade eu não tava ligando para nada disso, tava era rezando para qualquer deus e santo possível e imaginário, profetas, Jesus, budah, alah, zeus para o teleférico não sair. A parada era muuuito velha, mexia tanto quando passava nas colunas de sustentação que quando atravessamos tudo que chegamos do outro lado, o cara do brinquedo disse que tínhamos direito a volta e nós preferimos descer kkkk.

teleferico

Depois que a gente desceu, não demorou muito para voltarmos não, já tínhamos percorrido tudo ali. Então entramos no carro e fomos em direção de volta a Depok. Na estrada que vinha (inversa a nossa), Jordan mostrou uma hamburgueria e disse que era muito boa e que tava sendo muito bem falada (ainda no sul de Jakarta), mas eu não sabia que ele ia fazer a volta para que a gente pudesse passar lá para pegar um hamburgão. Ele lembrou minha decepção no shopping ao pedir um hambúrguer da A&W e vir uma coisa ridiculamente pequena e para completar com bacon falso (Muslin Friendly, muçulmano não come carne de porco). Na hora de pagar, Paul que segurou a fila durante todo o tempo (era enorme com bancos para uma pessoa por pedido) deu a vez na frente a Jordan, que fez questão de pagar. Tentei de tudo, mas pela segunda vez fui surpreendido com a frase “Você não vai pagar, você já é da família e é assim que fazemos por aqui”. Porran, o cara ficou desempregado há dois dias mano. Foda. Então, seguindo, pode se dizer que tive a melhor experiência Hamburguirifera durante a minha estadia aqui (segunda tentativa, aqui ainda não é tão explorado) e assim dormi muito feliz (mesmo sem sair pra tomar todas no sábado, pensaram que eu tinha esquecido né?). No domingo eu acordei um pouco mais cedo, lembrei que desde a semana passada tinha combinado com Ibu de ir a missa com ela. Quando eu saí do quarto o povo já tava se arrumando, e se arrumando demais por sinal. Então tomei meu humilde banho e coloquei minha humilde roupa e só depois disso fui informado que eles estavam indo para um casamento, não para uma missa. Eu nem me animei na verdade, não achava que iria. Mas Ibu me convidou pra ir junto e logo em seguida já desanimou quando eu disse que não tinha trazido camisas com gola (regra muçulmana) ou não tinha Batik (tradição em casamentos). Ela maquinou um pouco na cabeça, enquanto eu já me acomodava ali no chão em frente a TV (eu assisto muita tv aqui, mesmo sem entender nada KKKKKKK) e não demorou 10 minutos pra ela me vir com uma Batik de Ayah a la Agostin Carrara (faz meu estilo) pronta, limpa e passada. No primeiro momento eu duvidei que fosse caber, mas não é que a bixa coube? Lembrando só que o XG XXG e etc aqui não é o europeu, é o asiático (XG para criança) – devo ter emagrecido algo uhul. Saí do quarto, e ela com as mão juntas, como se fosse rezar, me viu com os olhos brilhando e falou o quanto eu estava “handsome” de Batik (engraçado que todo mundo sabe o que é handsome aqui, até as crianças e eu nunca aprendi essa palavra em cursinho, só no intercambio), então saímos de lá: Eu, Ibu, Ayah e Quezia. Jordan e Paul ficaram em casa.

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Pegamos mais ou menos 1:30 de estrada e transito (igual ao dia anterior, só que para um lado diferente) e para essa “grande” viagem Ibu já encheu o carro de comida e garrafas d’água. Minutos antes de parar o carro, soube que o casamento era muçulmano, e isso me animou mais (pq o católico eu já conheço direitinho né), chegando lá fiquei me segurando para não sacar o celular e começar a fotografar tudo. Na verdade, me segurei em casa para não levar a câmera. Assim que entramos conheci vários familiares de Ibu, irmã, sobrinhos, “netos” como ela chamava os filhos dos sobrinhos, tios e etc, as roupas dos convidados não eram tão peculiares quanto ao dos “padrinhos” e “madrinhas”, que tinham uma produção maior. Entrando na Mesquita que estava toda reformulada e decorada (geralmente é um grande vão), encontravam-se o noivo e a noiva com seus pais no logo a frente numa espécie de elevadozinho, em uma produção impecável entre roupas e maquiagem. Coisa de cinema! Ali você entrava na fila para subir e cumprimentar a família, com uma rápida parada para uma foto, e esse era o grande ritual do casamento Muçulmano. Como minha amiga Leticia bem disse, trata-se de uma cerimonia simplesmente para mostrar a sociedade que estava se consolidando a união de duas pessoas, fora aquilo, não tinham bebidas nem era uma festa de extravagância como os nossos casamentos. Apesas das comidas típicas (sem mesa, comia em pé mesmo), e palco com banda local (eeeeeita zuaaada), diga-se de passagem, tocando o nosso bom e velho brega só que dublado para o Bahasa Indonésia. Apesar dessa simplicidade em questões de rituais, tudo da decoração as vestimentas me encantavam, e depois eu tomei coragem e tirei algumas fotos (não tão boas), porque não quis chamar muita atenção do que já estava chamando por ser muito diferente. Todas as pessoas me cumprimentavam (me sentindo o próprio noivo), inclusive a banda, que ali do palco, entrou em um diálogo comigo perguntando pelo microfone de onde eu era, meu nome e se eu dançava ou cantava (nem em português, nem samba).

casamento

Pois pronto, sem muitas lições de moral, tive um final de semana que me agregou bastante. Rico de cultura e conhecimento local, o que até anda me inspirando a tentar segurar minha estadia aqui por mais uns diaszinhos para conhecer melhor. Toda tentativa é válida né?

2 thoughts on “Brain food

  1. Claudinha

    Ri sozinha com essa da banda do casamento.
    E caramba tua família daí é MT fofaa💙
    Achei incrível isso: “Indonésia é composta por diversos povos de culturas totalmente diferentes. Isso envolve línguas, construções, modo de vida, de alimentação, rituais e até aparência.”

    Ilha das flores parece que foi de onde deram “descendencia” aos anões não?! Fiquei na dúvida… MT info nesse livro.
    To amandu.

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