Prazer, cor!

Resolvi dividir o post passado em dois já para não absolver a energia daquele fim de tarde CARREGADO(kkkkkk). Então no dia seguinte, mentalmente já acordei diferente, às 6h saí do quarto e me deparo com a familia, conheci a Mãe de Paul, o Pai de Paul, e o irmão mais velho, Jordan (só vi ele num rápido  momento até agora). Quezia a mais nova já havia ido para aula. Tomei meu primeiro banho no maior estilo indonésio (de cuia). Águinha friazinha (não fria de verdade), mas no grau… Confesso que não achei ruim não, o banho tava muito bom, dificil só é segurar a cuia e lavar o sovaco ao mesmo tempo, faltou coordenação motora aí… Saí do banho, todo mundo já tinha ido embora, só me deparo com o café/almoço. Tem peixe, frango, uma carne bem seca, tudo bem temperado e com arroz de acompanhamento. Então optei por um chicrão de café e fé em Deus. Sobre a rotina, não tô fazendo a respiração em respeito aos moradores da casa (imagina a estranheza ao ouvir o AOOOOOOMMMMmmm…), e ainda não tive tempo de procurar academia, então peguei meu livrinho sentei no chão, dei uma lida e me inspirei pra escrever o post passado (Impermanência), ali mesmo eu fiquei escrevendo e trocando uma ideia ou outra com Paul até umas 11h da manhã. Eu teria um passeio que começaria às 9h com a turma da AIESEC para o MONAS e para KOTA TUA (passeio que já tinha feito com Dani the driver), então pedi a Awal para não ir, e sair só para fazer minhas coisas (melhor decisão). Às 11h levantei minha bunda do chão, e pedi um Uber moto para o Margo Mall (para quem quiser da google no shopping), no caminho eu simplesmente abri um sorriso… Tava vendo outra cidade que não pude ver cansado um dia antes, acho que as pessoas eram um pouco mais alegres que em Jakarta, o trânsito flui muito melhor, o sol tava a toda, céu azul, as folhas verdinhas, enfim, comecei a ver várias cores até então num país que eu só tinha visto cinza. Me senti bem!

casas coloridas.jpg

Foi com essa paz aí que eu entrei no shopping, sorridente, arriscando um bahasa perguntando para moça do balcão de informação onde trocava dinheiro. Milionário de novo, fui resolver meu chip (SIM CARD) do celular, a atendente foi sensacionalmente maravilhosa de gente boa, bem-humorada, eu tava tão pra cima, vendo tanta cor que vi o olho dela azul (brincadeira, era lente). Passei um tempinho rodando naquele ar condicionado the best, entrei na Pizza Hut (saudades), e enquanto meu pedido não saía, fui abrindo o note para atualizar aqui com o wifi. Atualizei o blog, comi minha pizza, e aí chega uma mensagem de Fiqih perguntando se eu tava fazendo alguma coisa. Então ele me convidou para assistir uma aula que ele ia dar de Japonês na “High School” que ele estudou. Fui na hora! Subi na moto e em 20 minutos eu já tava lá, durante o percurso, cada ruazinha apertada que eu entrava achava melhor ainda, parecia que tava mais íntimo do lugar e ao mesmo tempo fiquei pensando “será que algum gringo jamais circulou por aqui?”,que ousadia né? mas é foda! Fiqih tava lá, na frente do colégio esperando. Fomos a sala que ele daria aula, fiquei sentado na “mesa do professor” escrevendo o começo desse post aqui enquanto ele dava aula de Japonês. O que mais me impressionava era o respeito que os alunos tinham por ele, mais impressionante ainda foi a saudação em agradecimento que todos fizeram ao término da aula. Incrível. Saindo da sala, ele fez questão de me apresentar à todos os professores que participaram da educação dele, e o gesto de abaixar a cabeça (direcionando a testa contra a mão) demonstrava o respeito e a gratidão que ele tinha por todos eles. Claro que repeti da mesma forma e soltava uns Nama Saya Felipe, Saya dari Brasil de vez em quando pra mostrar toda minha fluência no Bahasa.

Saindo de lá, Fiqih me perguntou se eu gostaria de conhecer a comunidade (village) dele, e a melhor decisão até agora nessa viagem foi ter ido junto. Alguns becos, ruas apertadas e de repente me deparo com um lugar mais aberto. Um complexo com quadra e playground com várias crianças e jovens, jogando bola, brincando, empinando pipa, uma grama verdinha, nenhum cheiro ruim (na minha lembrança), tudo em perfeita harmonia. Desci da moto e as pessoas já começaram a me olhar (com curiosidade), começamos a andar por aquela área e enquanto Fiqih me falava sobre o “parque”, rapidamente uma criança ou outra começou a chegar mais perto e nessa velocidade e medida que a gente ia caminhando e conversando surgiam mais e mais. Teve um momento que parecia uma procissão (era muuuita criança kk), todas muito alegres, sorrindo sem parar, ninguém com problema com foto (fora a vergonha), todo mundo querendo conversar ou interagir de alguma forma. Eles tentam ser o mais amigável possível, os mais atenciosos possível com pessoas de fora. Fiqih me falou elas me seguiam porque meu nariz era grande, meu olho claro, e minha estatura bem maior do que a local, que eu chamava muito atenção e que de alguma forma eles queriam ser receptivos. Uma senhora que tava com a neta, não parava de me convidar para ir visitar a casa dela, enquanto Fiqih sem graça negava porque queria continuar me mostrando a área. Continuamos andando e aquele grupo enorme atrás só fazia crescer, as vezes eu não conseguia me concentrar na conversa com ele porque queria ficar observando as crianças e tirando foto. Uma quadra depois, ele me mostrou um galpão bem grande onde funcionava uma empresa terceirizada de componentes da Philips e apontou para outro no final da rua me dizendo que os dois eram da família dele. Um da mãe e outro do pai. Entao peraa aêee! Por que ele não tava num bairro nobre com um muro de 15 metros e segurança armada? Isso é Indonésia queridos (as) e é por isso que é produzido aqui, custo baixíssimo de mão de obra.

menina e velha.jpg

Voltando para parte alegre da coisa, o dia não parava de melhorar. A medida que ele ia passando, todo mundo ia cumprimentando. Todo mundo queria saber mais, queria conversar mais ou nos parar por 1 segundo para uma conversa. A gente foi andando bem devagar falando com quase todas as pessoas de Gandaria Villages (o nome do vilarejo) até entrar num beco estreito e chegar na casa dele. Não entramos porque os pais dele não tavam, mas conheci o irmão mais novo de lá do primeiro andar da casa mesmo ele acenou bem sorridente. Sentamos por uns 40 minutos numa coberta e ele foi me dizendo alguma curiosidade ali… Todos os avós (patriarcas e matriarcas) de qualquer família é chamado por um termo só, ou seja, sua vovó é vovó de todo mundo. E ele disse que isso pode ser usado da mesma forma entre pais e etc. Me falou também que os vizinhos eram seus parentes, faziam parte da família tanto quanto seus primos e seus pais, que tem que ser sempre muito respeitoso com todos porque é com eles que você pode contar na hora de qualquer necessidade. Me mostrou na outra esquina uma mesquita que tá sendo construída pela comunidade, e como de regra a mesquita precisa se manter sempre limpa. Para isso não existia regra ou cerimonia, qualquer pessoa chegava la e deixava tudo limpinho, sem nenhuma agenda ou calendário organizado (dia de fulano, dia de cicrano, dia de beltrano). Andamos mais um pouco e uma mulher nos convidou para tomar um café, era a vendinha dela que ficava na frente da casa. Fiqih sabia que eu não me importava de sentar no chão, mas ela foi correndo lá dentro buscar um banquinho, mas por bem, achei melhor ficar no chão como os dois também. Ela pegou café para mim e para ele, conversamos um pouco e lá de dentro veio o neto dela, que com 2 anos, rapidamente veio em minha direção, pegou a minha mão e repetiu aquele gesto que eu tinha visto Fiqih fazer com os professores. Repetiu o a demonstração de respeito aos mais velhos com Fiqih também, e depois voltou pra fazer em mim de novo, achei o máximo, aprendi de verdade que aqui eu tenho que fazer isso com todo mundo que for mais velho que eu.

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Naquela hora já começou o alto-falante da mesquita a convocar as pessoas, já tava quase escuro. Fiqih me perguntou se eu preferia ir pra casa dele ou se eu me incomodava de ficar num banquinho improvisado que tinha numa ruazinha meio escura ali perto. Preferi ficar na rua, mas demorou 2 minutos que ele entrou pra rezar para uma senhora cristã (por isso não tava na reza), vir até mim me oferecer pra ficar na casa dela. Lá ela me ofereceu comida, água e café mas eu preferi ficar só com a conversa mesmo, que por sinal, impressionante como eles se esforçam pra conseguir falar comigo. A conversa fluía bem, quando Fiqih voltou dizendo que sabia que eu deveria tá por ali (hahaah), mas já era a minha hora, eu não podia vacilar com a hora de Paul de novo né?

transito

Parti de lá, e voltei para casa muuuuito contente. Sério mesmo, eu não conseguia expressar pra Fiqih em mensagens o que ele havia me proporcionado e ele só fazia me agradecer de volta pela troca de experiência. Mal posso esperar para voltar lá outras vezes!

transito 2.jpg

Em casa finalmente pude conhecer melhor os familiares, todo mundo muito gente boa. A mãe de Paul tava na área externa da frente da casa conversando com uma amiga quando eu cheguei, e ela é muito atenciosa tentando conversar. Tiramos uma foto pro grupo delas de alguma rede social (acredito que LINES) e entrei para ficar mais com o resto do povo. O pai de Paul é gente boa, não conseguimos me comunicar porque não sei Bahasa e ele também não sabe inglês, mas Paul traduz um monte de coisa que eles vão falando. A TV é ligada em novela, a irmã, o pai e a mãe consomem produtos da índia (Bollywood) e Coroeia que passam dublado. Já Paul é aficionado por NatGeo, History e Discovery (internacional só com legenda), ele queria ir além da faculdade de cultura Jawa que faz, mas os pais não permitiram ele ir estudar Russo na Rússia. Em uma hora em uma conversa sobre de onde a mãe de Paul vinha (Median), ela foi buscar o álbum de fotos para facilitar a comunicação, e lá me mostrou outros familiares, incluindo o seu         “grandson “ como se referia ao sobrinho-neto. Ficamos ali naquela conversinha até tarde, porque tínhamos que esperar um monte do pessoal do programa (AIESEC) chegar na casa para assinar a papelada. Fiquei meio envergonhado pela demora deles, porque os “hostparents” mesmo com a demora foram muito atenciosos, mostraram alegria, brincaram e ofereceram as cadeiras da casa, comida e até fizeram Paul sair para comprar uma caixa com copinhos d’água. Para completar, tivemos que sair (eu, Awal, Monica(do programa tbm), e o pai de Paul), para ir até uma xerox perto para tirar uma cópia do meu passaporte e para dali ainda seguir para casa uma espécie de líder comunitário. Aqui, por ser estrangeiro e tá passando um período de mais de 48h na vizinhança, é de bom modos avisar ao “líder comunitário” que eu estaria hospedado na casa deles pelos próximos 45 dias, mostrar meus documentos e pedir permissão. Tudo acertado, enfim, voltamos para casa só o pó. Apesar de muito cansado, depois de um dia surreal desse, foi mais do que justo retribuir em forma de uma simples “conversação” com Paul por mais 1 ou 2 horinhas para treinar o inglês. Beijos!

5 thoughts on “Prazer, cor!

  1. Sandra

    Pessoas com uma cara boa. Crianças felizes. Muito bom vc está fazendo seus comentários. Jamais saberíamos o que se passa por esse lado do planeta se não fosse por você. Se cuide. Beijão❤️

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  2. Sandra

    Sandra
    Pessoas com uma cara boa. Crianças felizes. Muito bom vc está fazendo seus comentários. Jamais saberíamos o que se passa por esse lado do planeta se não fosse por você. Se cuide. Beijão❤️

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