Harvard é rua

Ontem mais uma vez segui a “rotina”, e lembrando da sorte que eu tive na seleção aleatória da música no dia anterior, resolvi arriscar de novo. Dessa vez infelizmente não rolou, então “aproveitemos” os pequenos momentos únicos e intensos da vida sem achar que eles vão se repetir, né isso. Voltei para casa do nosso querido casal, e tomado banho fiquei lá, encucado com aquela câmera que vi na loja. Então resolvi pegar a minha Nikon véia de guerra e sair na caça para consertá-la, e dessa vez a “aventura” seria no meio de transporte mais famoso de Jakarta, as motos. Aqui tem Go Jek, Grab e Uber motos (nesta ordem de importância e tamanho das empresas), mas como não tenho um SIM (chip) local, usei meu cadastro da Uber para ir a rua. O endereço da assistência técnica da Nikon na verdade ficava bem longe, no extremo norte da cidade, enquanto eu estou no Sul e isso significa uns 45 minutos (de moto), né que o negócio é tranquilo? Muito melhor e mais seguro do que andar com seus pés por aqui, já que não tem muita calçada. O engraçado é só que não existe nenhuma regra a ser seguida, então os caras pegam contramão, furam sinal e esquivam de várias pessoas que atravessam em qualquer lugar (perspectiva do motoqueiro dessa vez) sem nem dar sinal com a mão. Bem, o caminho foi longo, mas a bagatela que se paga por isso faz valer muito a pena, foram apenas 35 mil rupias, ou seja, uns 8 reais. Chegando na Nikon, fui informado que a câmera poderia ser salva sim, e foi. Era só um probleminha que eles consertaram lá sem nem cobrar, aproveitei a oportunidade para comprar um carregador da bateria porque esqueci o meu no Brasil, e as moças da loja me informaram que no shopping ao lado eu encontraria. O Shopping era um negócio meio abandonado com várias lojas fechadas e muitos produtos duvidosos. Nenhuma marca conhecida, e se vendia até animais exóticos (para minha concepção) no meio do lugar. Comprei o meu carregador (que descobri minutos depois que era falso), um cartão de memória pro celular (Samsung tem dessas), e fui dar uma passeada ali por dentro. Então encontrei uma loja de câmeras, e por aaacaso, vi aquela que tinha me interessado no dia anterior com o preço ainda inferior. Então, depois de muito pensar meti a mão na massa e comecei a negociar por ela. O resultado foi: Um leilão entre duas casas de câmbio para quem me vendia a rúpia pelo melhor preço (já saí ganhando), minha câmera antiga de entrada, 2 horas de negociação e sair de lá com uma câmera nova por apenas MIL REAIS (obrigado a André Figueiredo – @andre11 – por me encorajar a comprar a câmera).

 

Em lua de mel, caso recente, namoro novo, com a câmera, perguntei ao cara da loja um lugar legal para ir visitar pelas redondezas e já fazer uso da bichana. Ele me apontou uma direção e eu segui. Na verdade, eu “me perdi” e acabei não achando essa “praia” que ele queria que eu fosse. Somado a isso já tava dando a hora de encontrar com Gunnar e Leticia no escritório deles para irmos a um beergarden novo na cidade. “Dando a hora” significa 2 horas antes, você tem que se planejar desta forma por conta do trânsito. Peguei meu celular, vi o tempo que levaria para ir andando, tomei coragem e fui encarar uma caminhada de 2:40 no meio dessa loucura. Claro que antes disso (40 minutos), eu desisti. Mas nesses 40 minutos, foi suficiente para enxergar algumas cenas que jamais tinha visto. Uma linha de pobreza bem abaixo das que me habituei a ver nas épocas de campanha política pelas comunidades de Recife. Um povo muito pobre, Indonésios que vivem na miséria, se lavando (tomando banho) na calçada com uma cuia, centenas de casa quase em cima de um trilho de trem, pesca na saída de um esgoto de um canal central da cidade (nível Agamenon, Tietê) e em paralelo a isso, felicidade. Esses, não devem saber o que é ter mais que aquilo, apesar de verem algumas mansões e carrões que existem na cidade, nunca deve ter feito parte daquela realidade, ou seja, não deve existir cobiça ou inveja, é aquilo e só aquilo mesmo, então fazer o que né?

Homem pescando

 

Mulher banho

Seguindo a caminhada, me deparei com minha bateria do celular quase acabando (2%) e imagina eu, que não sei andar nem Casa Forte (bairro da minha vida toda), perdido, sem celular, aqui, em Jakarta (kkkkkkkk), pedi logo meu Uber moto para o escritório da Philip Morris, que fica em cima de um shopping e onde o casal trabalha. Dessa vez o Uber veio sem GPS (ou celular com maps aberto), era um senhorzinho beeem velhinho e magrinho, totalmente diferente da pessoa da foto do app. O cara deu tanta volta, mas tanta volta, que cochilei na moto umas 4 ou 5 vezes. Eu, um cara de 100kg pendendo pra um lado e para o outro durante as pescadas, imagina se o cara não ficou puto kkkkk, fora as vezes que pesquei e bati capacete com capacete com ele, era cada pegada de ar do além. Chegando perto do shopping/escritório, consegui identificar o prédio de longe numa rua que ele havia passado, mas o que não é problema por aqui, prontamente fez a volta na avenida mesmo e pegou a contramão me deixando logo depois numa parada de ônibus diferenciadíssima (nobreza). Essa parada ficava entre o shopping que era um empresarial e outro prédio empresarial. Ali as pessoas já tinham outra feição, a maioria era chinês, o que confirma aquela teoria do post passado. Alguns ocidentais espalhados, todo esse povo muito bem vestido e alinhado onde poucos Indonésios participavam. No shopping, há, Louis Vuitton, Prada, e até loja da McLaren com carros expostos e tudo, tudo isso num shopping que coloca até o JK no bolso. Quase nenhuma desigualdade né? Entonces peguei meu carregador, sentei ali num café (que me custou mais caro do que todos os meus transportes do dia inteiro), e esperei por eles. Enfim, beergarde, enfim, cerveja (sds), batemos papo ali a noite toda, comemos uns petiscos (não regionais), vimos bastante Indonésios (talvez muçulmanos) mais descoladinhos, bebendo, fumando, e fui apresentado a um indiano que é o presidente de Agência Publicitária (pertencente ao grupo Olgivy) e também ao André (amigo do casal, brasileiro que mora aqui há quase 3 anos trabalhando pela Heinz), tomamos mais umas e Leticia e Gunnar nos deixaram. Depois fomos a um bar na parte inferior de um hotel e em seguida uma “balada” onde André já conhecia bastante gente. Pra quem tava pescando no motoqueiro foi bom… Mas acho que era mais uma questão de curiosidade, queria saber da cabeça de um cara de 27 anos (André), Diretor Financeiro do grupo aqui na Indonésia, como é deixar os amigos e família, todos em Curitiba e vir pra esse lado do mundo para uma coisa tão diferente. Isso sem levar em consideração os 2 anos que ele passou em Singapura antes de morar em Jakarta. É doideira papai. Mas acredito, depois de ontem, que com essa experiência, o cara tá pronto para assumir profissionalmente qualquer coisa na vida. Conviver em ambientes de trabalho com tantos costumes diferentes, inserido em uma outra realidade mercadológica deve ser melhor do que uma formação em Cambridge ou uma Harvard da vida.

Mas para você que pensou que a noite acabou, não… não acabou. Peguei um taxi(carro) na frente da balada, o cara tava sem GPS (deeeee novo), meu celular descarregado (deee novo) só com um endereço escrito no papel, a cara e a coragem. E foi com essa cara e coragem que passamos 2h e meia procurando o condomínio aqui no mais tradicional meio de achar algum lugar, perguntando na rua. Eu que já tava bem irritado com o cara, principalmente porque ele tava almejando uma fortuna por ter rodado e se esforçado tanto (por culpa dele), procurei ter paciência e lembrei de um trecho do livrinho de cabeceira lá: Aceitar as pessoas como elas são, e perceber que isso é o melhor que elas podem oferecer naquele momento. Ser analítico e procurar possíveis explicações para as ações delas. Ao mesmo tempo, assumir a responsabilidades das minhas ações. Isso é o capitulo sobre aceitação, que objetiva trazer mais harmonia. (momento Miguel Falabela no fim do Videoshow)

É, com isso podemos concluir que já estão começando as despedidas das “molezinhas” por aqui. Beijos, Fui!

 

*   Hoje, em uma reflexão matinal, decidi pedir perdão. Perdão a Elô pelas aberrações contra a gramática que devem estar sendo escritas nesse blog. Desculpe Elô, eu não tenho mais uma “corretora”/revisora para me auxiliar 😦

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