Rolé(ê) com Dani

Hoje é dia 10 e a noite passada não foi tão bem aproveitada. A mudança de fuso me fez acordar a meia noite achando que já era tarde. Depois minha curiosidade me levantou da cama às 4am de novo, dessa vez para ouvir o chamamento dos muçulmanos à Oração da Alvorada (Sobh), eles devem usar alguma espécie de alto-falante para lembrar a todos da hora. Então depois de todos os AFAZERES MATINAIS, tomei um banho e fui esperar o Dani (o motorista lembra?) voltar para darmos um role na cidade. Visto que ele me esqueceu por um bom tempo, tive tempo de sobra para escrever quase todo esse conteúdo aqui, além de terminar as 10 primeiras lições de Indonésio no Babbel (app) > VALEU DANI

Com o Dani, pude me entranhar na cidade a ponto de conhecer alguns pontos turístico (que não são muitos por aqui), e interagir com o povo pela primeira vez. Começamos pelo “Monas” (Monumen Nasional), onde entrei por uma feira, de comidas de rua e cambalacho assim como os que conhecemos no Brasil. Em seguida me dirigi àquela torre que mede 132m (nada mal) com um “fogo” foliado em ouro no topo.  Esse monumento foi construído em 1975 para comemorar a retomada da capital de Jakarta após anos de colônia Holandesa instalada no país ou a virilidade do povo indonésio (o que me lembrou a rola de Brennand).

Durante esse passeio, fui abordado diversas vezes por grupos de crianças muçulmanas para uma fotinha (sevagtur feelings), nesta hora me recordei que entre tantos amigos, colegas e tios que tiveram na Indonésia, ninguém parou por Jakarta. Não é ponto turístico, ou seja, eu sou um extraterrestre circulando na cidade, e é aqui que você percebe entre tantas coisas, que a diferença depende da perspectiva, do contexto. Aqui eu sou o estranho, não as meninas com 90% dos corpos cobertos, e meninos de 8 ou 9 anos fumando pela rua. Eu sou minoria. Não que eu não tivesse sido alertado que isso iria acontecer, na noite anterior durante o jantar, os queridos Gunnar e Leticia já haviam me dado esse “spoiler”.

Seguindo o “DanisTur” (o pobre já desfalecendo, acho que nunca andou tanto na vida X quantidade de cigarros por dia) mas foi forte, e aguentou. Chegamos então na Old Town Jakarta ou Kota Tua como é chamada, onde estacionamos um pouco distante da praça principal que tem uma grande abertura. Seguimos andando, e usei a lição do amigo casal, ao atravessar a rua, “vá decidido. Não tenha medo, meta a cara e coragem porque se trupicar, da merda”. Aparentemente eles conseguem calcular a velocidade em que você está atravessando e passar. Se você fica na dúvida ou dar ré no meio da travessia, pode confundir a “física” dos motoqueiros e motoristas e acabar em acidade ou buzinaço.” É… não existem faixas de pedestres, tantos semáforos ou calçadas para nos dar essa segurança. Isso é Darwinismo puro! Evoluíram desse jeito e funciona. Já na praça, visitamos o café Batavia, a segunda mais antiga construção do centro de Jakarta. Com mais de 200 anos, foi fundada no sec. XIX colonial. Em uma conversa no jantar com Gunnar e a Leticia hoje, acreditamos que essa foi a primeira vez que o Dani, devido a sua condição financeira, entrou em um lugar como esse. Deve ter sido uma experiência e tanto, sentar como “boss” (como ele se refere ao Gunnar), pedir um café e acender um cigarro de cravo, do jeito que ele gosta.

Além de Kota Tua, visitamos uma catedral católica (não me pareceu muito diferente das demais, meu pouco tato religioso não me deixa impressionar com esse tipo de construção tradicional), vimos a casa (palácio) do Presidente da Mitsubish em Jakarta, além da casa (quarteirão/quadra) de um excêntrico milionário chinês apaixonado por Trump que pretende se candidatar a presidência nas eleições de 2019 na Indonésia.

Bem, o dia foi beem longo e apesar que depois das 3am eu não deitei mais a cabeça, valeu muuuito a pena para reconhecimento de campo. Amanhã é dia de acordar cedo para resolver algumas pendências antes de ir finalmente a Depok, conhecer meu “Buddy” quem vai me dar suporte ao decorrer de todo o programa, e o coordenador do curso que marcaram comigo lá na biblioteca da Universitas da Indonesia. Beijos, tchau que o remedinho regulador de fusos já está fazendo efeito.

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One thought on “Rolé(ê) com Dani

  1. Claudinha

    Lipinho, adorando “escutar” o seu olhar sobre tudo ai. Está um legítimo blogueiro, tá uma delícia de ler! E adorei essa reflexão: “e é aqui que você percebe entre tantas coisas, que a diferença depende da perspectiva, do contexto. ”
    Nada mais verdadeiro, li ontem exatamente isso em um livro e deixei registrado: contexto é tudo! Beijos ainda mais apaixonados

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